“Lavagem do Rosário celebra ancestralidade e clama por paz nas escadarias sagradas de Cuiabá”

O amanhecer do sábado, 28 de junho de 2025, foi marcado por um encontro de tambores, cantos, águas e flores nas escadarias da Paróquia do Rosário e São Benedito, em Cuiabá. A Lavagem do Rosário, em sua décima edição, reafirmou-se como um ato cultural de resistência, espiritualidade e memória coletiva.

Desde as primeiras horas do dia, o centro histórico da capital foi tomado por cores, aromas e passos ritmados. Logo às 6h, o MISC (Museu da Imagem e do Som de Cuiabá) abriu suas portas, acolhendo os primeiros participantes que, ao longo da manhã, se reuniram para uma caminhada que não é apenas física, mas espiritual: um rito que conecta o presente à ancestralidade.

O cortejo teve início pontualmente às 9h, com os fiéis e simpatizantes guiados por vassouras, quartinhas com águas de cheiro e indumentárias que reverenciavam as tradições dos povos de terreiro e comunidades quilombolas. Às 11h, a Solenidade da Paz emocionou os presentes com a soltura de pombas brancas, seguida pela Perfumação das Águas ao som dos clarins, marcando o início do rito da lavagem, que lavou simbolicamente as escadarias da igreja com axé, devoção e esperança.

“O Xirê nos lembra que estamos em círculo, que a força do povo preto é coletiva e gira em torno da paz”, declarou com emoção Regina Oliva de Campos, sacerdotisa de Várzea Grande e atual presidente da Associação da Lavagem do Rosário. Em seu segundo mandato, Regina lidera a organização com um modelo democrático, apoiada por 14 membros divididos nos núcleos Cultural e Sacerdotal.